segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Haikai sqn



ela se vai
na botella
que esvai.

O MASOQUISTA É UM SÁDICO! (PART 2)



Podemos pensar o masoquista como sádico de si.

A otimização desta economia dos prazeres está em delegar a outro os esforços punitivos.

Com isso o masoquista poupa dispêndio de força e conta com certa novidade de quantidade, qualidade e timing dos estímulos recebidos.

A passividade deste gozo não implica heteronomia, uma vez que os suplícios empregados se reportam a um acordo subentendido.

O outro a desempenhar o papel de sádico é a terceirização dos estímulos do masoquista na sua relação consigo enquanto objeto.

O MASOQUISTA É UM SÁDICO!



Se o masoquista busca prazer em ser castigado, não é certo que ele o é também sádico ao despertar no outro a dor para um desejo punitivo?

sábado, 21 de dezembro de 2013

Amor humano

O amor perfeito não é possível ao ser humano. E mesmo se fosse, este não compreenderia. Portanto, para que o ser humano se sinta mesmo amado, ainda que não verdadeiramente, mas de acordo com a capacidade de sua percepção, há a necessidade do amor egoísta. É este o amor que o humano deseja e compreende. Para que o ser humano se sinta amado, ele requer o egoísmo.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O rei está nu mas lhe obedecem como se usasse Armani

Um rei que não governa. Melhor: que delega todas suas responsabilidades. Melhor ainda: que desmanda. Um rei republicano. Melhor: que se torna a própria República. Melhor ainda: que não é rei.

Não tem coroa, cetro, capa ou anel. Não tem discernimento, virtude, força ou visão.

Todos em torno responsabilizados pela saúde do rei.

Vida longa ao rei!

domingo, 1 de dezembro de 2013

O OLHAR NEGRO

O OLHAR NEGRO

Foi a primeira vez que me fitou.

Antes, olhava de modo breve. Apenas insinuava um flerte. Era como se disse: “o interessado aqui é você”. Só mais tarde compreendi esta intenção.

Até então a troca de olhares me era um jogo no qual vencia aquele capaz de suportar por mais tempo a tensão. Se fosse uma caçada, eu me entendia como o predador, quando não passava de uma presa tola que investe achando não haver perigo.

Ela não. Ela sabia se fazer querer e esperar o tempo certo para dar o bote. Ela sabia apreciar cada instante e extrair o melhor de cada momento, enquanto eu me inquietava para um clímax. Talvez aí também o orgasmo múltiplo das mulheres, em saber gozar cada momento da conquista.

Entenda, o olhar que ela me lançava não era qualquer um. Pra começar, seus olhos são grandes e negros. À primeira vista parece um olhar infantil, pedindo proteção. Mas seus olhos não são apenas ocidentais, porque são também orientalmente inclinados, escondendo certa malícia. Suas pálpebras, com longos cílios aparentes nas bordas, acompanham esse sensual declive ao centro. Enfim, seu olhar é helênico, e aposto que nem Helena tinha um olhar como este.

A brevidade deste olhar nada tinha a ver com um aceno, que tira toda a tensão e constrange moralmente qualquer libido. A brevidade estabelecia, em público, uma cumplicidade secreta.

De repente, eu me sentia especial, porque era alvo, entre todos, de um charme sutil, de um prazer voyeur, de espionar a intimidade não evidente dela em público. Mais tarde, percebi que eu não era o único a me sentir especial, e por isso me afastei.

E porque me afastei que, talvez, ela tenha agora partido para esta (última?)abordagem, de flertar escancaradamente comigo.

Se demorei a aprender o significado dos seus primeiros olhares, estes últimos eram muito didáticos, até porque eram daqueles que eu estava costumado a empreender.

Sempre me vali de olhares extravagantes para seduzir. Desde olhar fixamente seus olhos, até me virar para olhar por detrás. Mesmo se vestindo como um menino, também não deixei de observar seu corpo e imaginar como seriam suas curvas. Talvez mais que meu, este era o olhar que me cabia.

Ao passo que ela, com movimentos minimalistas, carregava de significado cada pequeno gesto. Havia nela uma forte economia da sedução e a contida concentração de seu veneno evitava que se expusesse e lhe garantia uma ótima reputação, ao encontro de sua maneira discreta de caçar.

Difícil resistir. Desejava ser olhado assim desde o começo. Mas também não conseguia deixar de pensar que este olhar não era reservado a mim, e esse desgosto me deu forças para não buscar mais olhares.

Ao mesmo tempo pensava que devia ferir seu orgulho empreender agora flagrante olhar com aqueles olhos que me conquistaram, mas que agora me davam desgosto. Evitava aquele olhar para evitar o desprezo e indiferença que os acompanhava. A ressaca acompanha aqueles olhos negros.

FRIENDZONE

FRIENDZONE

Quando: 
1 - A gosta de B; 
2 - B sabe que A gosta de B;
3 - mas B não gosta de A;
4 - mas B gosta que A goste de B;
5 - porque A aumenta a autoestima de B e está sempre disponível nos momentos ruins de B e, na maioria das vezes, B só quer a companhia de A nos momentos ruins;
6 - por isso B alimenta as expectativas de A;